Projeções indicam redução no superávit da safra 2026/27, com impactos em grandes produtores e reflexos para o mercado brasileiro
Clima pressiona oferta global de cacau
A intensificação do fenômeno El Niño deve impactar diretamente a produção mundial de cacau na safra 2026/27, trazendo novas incertezas ao agronegócio global. De acordo com projeções da StoneX, o superávit da amêndoa pode cair para 149 mil toneladas, abaixo das 247 mil estimadas para a temporada atual.
A revisão considera o avanço rápido das previsões climáticas e o histórico recente de impactos negativos nas lavouras, especialmente em regiões produtoras estratégicas. A preocupação é que o fenômeno provoque períodos mais secos e reduza a produtividade das plantações.
África Ocidental no centro das preocupações
Os maiores riscos estão concentrados na África Ocidental, responsável por grande parte da produção global. A Costa do Marfim, líder mundial, deve manter sua produção em cerca de 1,83 milhão de toneladas, sem crescimento significativo.
Já Gana, segundo maior produtor global, pode sofrer queda relevante. A estimativa é de recuo de 630 mil para 595 mil toneladas, caso os efeitos do El Niño se confirmem.
Esse cenário pode alterar o ranking global da commodity. O Equador, com expectativa de 630 mil toneladas, pode assumir a segunda posição mundial, impulsionado pela retração africana.
Impactos no Brasil e no mercado
No Brasil, o cenário é moderadamente positivo, mesmo diante das incertezas climáticas. A produção nacional deve crescer levemente, passando de 215 mil para 225 mil toneladas na safra 2026/27.
Estados como a Bahia, principal polo cacaueiro do país, podem se beneficiar de condições mais favoráveis em comparação aos concorrentes internacionais. Ainda assim, especialistas alertam que o comportamento do clima será determinante para confirmar esse avanço.
Mercado global mais sensível
A possível redução da oferta global tende a aumentar a volatilidade dos preços do cacau no mercado internacional. Com estoques mais apertados e maior risco climático, compradores e indústrias devem adotar estratégias mais cautelosas.
O relatório destaca que, apesar das incertezas, a convergência dos modelos climáticos aponta para um evento mais intenso de El Niño, o que reforça a necessidade de monitoramento constante por produtores e investidores.