No final de fevereiro de 2026, o preço da arroba do boi gordo registrou uma alta significativa, alcançando R$ 360/@ em negócios pontuais em São Paulo. Esse movimento reflete uma oferta restrita de animais terminados e exportações aceleradas de carne bovina, impulsionando valorizações em diversas praças pecuárias brasileiras. O indicador Cepea/Esalq apontou uma alta superior a 5% no mês, com escalas de abate encurtadas entre 4 e 7 dias úteis nas indústrias frigoríficas.
Fatores impulsionadores da alta
A oferta restrita de animais terminados tem sido o principal motor para a elevação dos preços. Pecuaristas brasileiros, beneficiados por boas condições de pastagem, conseguem cadenciar as vendas, pressionando as indústrias frigoríficas a oferecerem valores mais altos. Além disso, as exportações de carne bovina aceleraram, com um aumento de 63,1% no valor médio diário em comparação a fevereiro de 2025.
Esses elementos combinados criam um cenário de escassez relativa no mercado interno. Negócios pontuais acima de R$ 350/@ foram registrados, sinalizando uma tendência de firmeza nos preços. As indústrias enfrentam dificuldades para preencher as escalas de abate, o que reforça a posição dos pecuaristas nas negociações.
Impactos regionais no Brasil
Em São Paulo, o destaque foi o pico de R$ 360/@, mas valorizações ocorreram em 10 das 17 praças monitoradas pela Agrifatto. Goiás e Minas Gerais também registraram aumentos expressivos, impulsionados pela dinâmica de oferta e demanda local. No Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, os exportadores de carne bovina se beneficiam diretamente do aquecimento das vendas internacionais.
Essas regiões concentram grande parte da produção pecuária brasileira, e a restrição de animais terminados afeta diretamente as operações das indústrias. Pecuaristas nessas áreas utilizam as condições favoráveis de pastagem para reter animais, aguardando melhores ofertas. Como resultado, o mercado bovino nacional apresenta uma tendência de alta generalizada.
Projeções para março de 2026
Com o final de fevereiro marcado por escalas encurtadas, as projeções para março de 2026 indicam continuidade da firmeza nos preços da arroba do boi gordo. As exportações aceleradas devem manter o ímpeto, sustentando a demanda por carne bovina brasileira no exterior. Pecuaristas e indústrias frigoríficas acompanham de perto esses indicadores para ajustar estratégias.
A manutenção de boas condições de pastagem pode prolongar o poder de barganha dos produtores. No entanto, qualquer variação na oferta de animais terminados ou nas exportações poderia influenciar o mercado. Analistas da Agrifatto preveem um mês de março com negociações ativas, potencialmente elevando ainda mais os valores em praças chave como São Paulo e Mato Grosso.
Contexto econômico para o setor
O setor pecuário brasileiro, envolvendo pecuaristas, indústrias frigoríficas e exportadores, navega por um período de otimismo moderado. A alta de 63,1% no valor médio diário das exportações em fevereiro de 2026, em relação ao mesmo período de 2025, reflete a competitividade da carne bovina nacional. Esse crescimento contribui para a valorização da arroba, beneficiando a cadeia produtiva como um todo.
Apesar dos desafios com escalas de abate encurtadas, o mercado demonstra resiliência. Os negócios pontuais acima de R$ 350/@ em diversas praças indicam uma recuperação gradual. Exportadores continuam a expandir mercados, o que pode sustentar a tendência positiva ao longo do ano.