Em maio de 2022, produtores rurais brasileiros expressaram graves preocupações com a escassez de diesel, que ameaçava comprometer a colheita de milho prevista para agosto daquele ano. Juliano Machado, produtor de soja e milho em Lucas do Rio Verde (MT), destacou os impactos na agricultura, alertando para um possível colapso na cadeia produtiva. A situação foi agravada pela guerra na Ucrânia, que elevou os preços do petróleo e afetou as importações de diesel no Brasil.
Escassez de diesel e racionamento
Postos de combustível em regiões agrícolas limitavam o abastecimento a 200 litros por veículo, quantidade insuficiente para operar tratores e maquinários pesados. Essa restrição ocorria em meio ao final do plantio da safrinha de milho, atrasado pela falta de chuvas. Sem diesel adequado, produtores como Machado temiam não conseguir colher a safra em três meses.
O diesel é fundamental para a agricultura. Sem ele, não conseguimos plantar, colher, transportar. É o sangue da agricultura.
Causas da crise
A falta de diesel decorria principalmente da dependência brasileira de importações, que representavam 30% do consumo nacional. A guerra na Ucrânia impulsionou os preços globais do petróleo, levando a Petrobras a aumentar o valor do diesel em 8,87%. Além disso, reivindicações de caminhoneiros por preços mais baixos ameaçavam uma greve, intensificando a crise.
Estamos pagando R$ 7,50 o litro do diesel. É insustentável.
Impactos na agricultura brasileira
A escassez afetava não apenas a colheita de milho, mas também o plantio subsequente de trigo, essencial para a rotação de culturas. O transporte de grãos para armazéns ou exportação ficava comprometido sem combustível para caminhões. Produtores alertavam que uma greve de caminhoneiros seria desastrosa durante o pico da colheita de soja e o início da safrinha de milho.
Entendo a reivindicação dos caminhoneiros, mas uma greve agora seria desastrosa para a agricultura. Estamos no pico da colheita de soja e início da safrinha de milho.
Propostas e soluções
Machado sugeriu que o governo estabilizasse os preços sem onerar os produtores, já pressionados por altos custos de insumos. Ele defendeu o aumento da produção de biodiesel a partir da soja para reduzir a dependência de importações. Sem ações rápidas, a agricultura brasileira, vista como o celeiro do mundo, poderia sofrer um baque significativo.
O Brasil tem potencial para produzir mais biodiesel a partir da soja. Isso reduziria a dependência do diesel importado.
Consequências para o país
A crise destacava a vulnerabilidade do setor agrícola brasileiro a choques globais, como conflitos internacionais. Produtores rurais e caminhoneiros estavam interligados nessa cadeia, e qualquer interrupção poderia afetar a economia nacional. Em 2022, a situação demandava intervenções urgentes para evitar perdas na produção de alimentos essenciais.
Se não resolvermos isso logo, a agricultura brasileira vai sofrer um baque enorme. E isso afeta todo o país, pois somos o celeiro do mundo.