Preço do boi gordo atinge patamar recorde em São Paulo
Na última semana de março de 2026, o preço do boi gordo alcançou R$ 360 por arroba em negociações pontuais em Bofete, no interior de São Paulo, para animais padrão exportação. Essa alta reflete uma oferta restrita de boiada terminada no mercado brasileiro, com expectativas de continuidade da valorização. Fontes ligadas a pecuaristas e frigoríficos da região indicam que a disputa intensa por animais prontos para abate impulsiona os valores, conforme análises de consultorias como Agrifatto e Scot Consultoria.
Oferta restrita e retenção no campo
A restrição na oferta de animais prontos para abate é o principal fator por trás dessa elevação. Pecuaristas têm retido boiada no campo, aproveitando as boas condições das pastagens, o que reduz a disponibilidade imediata. Essa estratégia, combinada com um padrão sazonal histórico de valorização no fim de março, pressiona os preços para cima em diversas regiões do Brasil.
Escalas de abate encurtadas em todo o país
As escalas de abate nos frigoríficos estão encurtadas, com uma média nacional de apenas cinco dias úteis. No Centro-Oeste, estados como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul enfrentam negociações acima da média, enquanto o Pará também registra disputa acirrada por boiada terminada. Essa situação força a indústria frigorífica a oferecer valores mais altos para garantir suprimento.
Demanda externa aquece as exportações
A demanda externa firme contribui significativamente para o cenário. Dados parciais de março de 2026 apontam para exportações de mais de 115 mil toneladas de carne bovina, impulsionadas por um dólar elevado que favorece as vendas internacionais. Essa aquecimento no mercado externo intensifica a competição interna por animais de qualidade para exportação.
Perspectivas para o setor pecuário
Especialistas da Agrifatto e Scot Consultoria preveem que a alta nos preços do boi gordo deve persistir, dada a oferta restrita e a robustez da demanda. No entanto, o setor monitora de perto as condições econômicas globais, que podem influenciar o ritmo das exportações. Pecuaristas e frigoríficos ajustam estratégias para navegar nesse ambiente de valorização.
Impactos na indústria frigorífica
A indústria frigorífica brasileira, concentrada em regiões como São Paulo e Centro-Oeste, adapta-se às escalas reduzidas com negociações pontuais a preços elevados. Essa dinâmica reflete não apenas a sazonalidade, mas também fatores macroeconômicos como o câmbio favorável. O equilíbrio entre oferta interna e demanda exportadora será crucial para a estabilidade do mercado nas próximas semanas.