Início tardio nas principais regiões produtoras pode concentrar trabalhos a partir de maio, apesar de expectativa de safra recorde
A colheita de café arábica no Brasil segue em ritmo lento neste fim de abril de 2026, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O avanço limitado nas principais regiões produtoras acende um alerta para o calendário da safra 2026/27, ainda que as perspectivas de produção sejam positivas.
Regiões produtoras ainda não engrenaram colheita
De acordo com o Cepea, os trabalhos de campo começaram de forma mais consistente apenas na Zona da Mata de Minas Gerais. No Sul de Minas, uma das mais importantes regiões cafeeiras do país, a maioria dos produtores ainda não iniciou a colheita, com expectativa de avanço mais significativo somente a partir da segunda quinzena de maio.
No Cerrado Mineiro, outro polo relevante da produção nacional, o início efetivo deve ocorrer apenas no fim de maio, comportamento considerado típico para a região devido às condições climáticas e ao ciclo da cultura.
São Paulo e Paraná também registram atraso
Em São Paulo, na região de Garça, parte dos produtores já iniciou as atividades, mas o volume colhido ainda é reduzido. Já na Mogiana paulista, a previsão é de início dos trabalhos entre meados e o fim de maio.
No Noroeste do Paraná, a colheita começa de forma gradual, mas as chuvas recentes podem provocar atrasos adicionais. A tendência é de normalização das atividades assim que as condições climáticas se estabilizarem.
Clima e planejamento influenciam ritmo da safra
O atraso no início da colheita está relacionado a fatores climáticos e estratégicos. Produtores aguardam melhores condições para garantir qualidade dos grãos e otimizar o rendimento operacional.
Apesar do ritmo lento neste momento, agentes do setor destacam que as lavouras apresentam bom desenvolvimento tanto para o café arábica quanto para o robusta, o que reforça um cenário positivo para a safra atual.
Expectativa de produção recorde no Brasil
Mesmo com o início mais tardio, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita recorde de café no Brasil para a temporada 2026/27. Caso confirmada, a produção robusta poderá compensar eventuais atrasos no calendário e garantir bom desempenho do setor.
Para o agronegócio brasileiro — incluindo estados com relevância crescente na cadeia do café, como a Bahia — o cenário combina desafios operacionais no curto prazo com perspectivas promissoras no médio e longo prazo.