Queda nas cotações em abril reflete aumento da oferta e expectativa de intensificação da colheita nas próximas semanas
A safra de tangerina poncã começa a ganhar força no Brasil e já impacta o mercado de citros, com queda significativa nos preços ao longo de abril. Segundo dados do Cepea, a maior disponibilidade da fruta deve se intensificar nas próximas semanas, ampliando a pressão sobre as cotações.
Avanço da safra reduz preços da poncã
Embora a colheita ainda esteja em fase inicial, algumas áreas já registram comercialização da tangerina poncã. A expectativa é de aceleração da oferta no curto prazo, o que tende a pressionar ainda mais os preços.
Em abril, a fruta foi negociada na árvore a uma média de R$ 63,97 por caixa de 27,2 kg, representando queda de 23,2% frente aos R$ 83,24 registrados em março. Na comparação anual, o recuo também foi expressivo, de 10,5% em relação a abril de 2025.
Produtores relatam que o uso de sistemas de irrigação tem antecipado a colheita em algumas propriedades, com frutas ainda de casca verde, mas já com qualidade interna adequada para comercialização.
Mercado de laranja apresenta variações
Entre os dias 27 e 30 de abril, o mercado de laranja apresentou comportamento misto. A laranja pera in natura foi negociada a R$ 40,24 por caixa de 40,8 kg, com queda de 4,29% frente à semana anterior.
A laranja lima também registrou recuo, com média de R$ 62,35 por caixa, baixa de 7,78%. Já entre as variedades tardias, o cenário foi distinto: a valência manteve estabilidade, cotada a R$ 37,00 por caixa, enquanto a laranja natal apresentou alta de 19,71%, alcançando R$ 38,00 por caixa.
Tahiti e indústria seguem em queda
A lima ácida tahiti também apresentou desvalorização no período, com média de R$ 17,81 por caixa de 27,2 kg, queda de 2,18% na comparação semanal.
No segmento industrial, a laranja pera destinada ao processamento foi comercializada a R$ 26,40 por caixa de 40,8 kg, registrando recuo de 3,46%.
Expectativa de maior pressão nas próximas semanas
Com o avanço da safra da tangerina poncã e aumento gradual da oferta de citros, o mercado deve continuar pressionado no curto prazo. A intensificação da colheita tende a ampliar a disponibilidade, especialmente em maio.
Ainda assim, fatores como clima, qualidade dos frutos e demanda interna serão determinantes para o comportamento dos preços nas próximas semanas.