A escalada do conflito no Oriente Médio desde 28 de fevereiro de 2026 tem impulsionado os preços do petróleo Brent em mais de 40%, elevando os custos do diesel e pressionando a produção de açúcar e etanol no Centro-Sul do Brasil. Analistas da StoneX destacam que o diesel subiu mais de R$ 1,00 por litro nas bombas até 21 de março de 2026, impactando diretamente as usinas sucroenergéticas. Essa alta ameaça a rentabilidade da safra 2026/27, exigindo ajustes estratégicos das empresas do setor.
Origem do conflito e efeitos globais
O conflito no Oriente Médio tem restringido a oferta de petróleo, encarecendo fretes e gás natural. Como resultado, os preços do diesel dispararam, afetando não só os combustíveis, mas também insumos como fertilizantes. Essa dinâmica global reflete diretamente no Brasil, onde o Centro-Sul concentra a maior parte da produção de cana-de-açúcar.
Impacto nos custos agroindustriais
A correlação entre os preços do diesel e os custos agroindustriais atinge 97,46%, elevando os gastos em R$ 29 a R$ 36,5 por tonelada de cana. Usinas enfrentam pressão nos custos operacionais, especialmente em atividades agrícolas como plantio e colheita. Fertilizantes também encarecem devido à dependência de gás natural e fretes internacionais.
Análise de especialistas
Marcelo Di Bonifacio Filho, analista da StoneX, observa que o petróleo mais caro pode sustentar os preços do etanol, melhorando as receitas das usinas. No entanto, o impacto imediato do diesel reduz as margens do açúcar, incentivando uma maior alocação para biocombustíveis.
Se, por um lado, o petróleo mais caro tende a sustentar os preços do etanol e melhorar a perspectiva de receita das usinas, por outro, a alta do diesel impacta diretamente os custos operacionais, especialmente nas atividades agrícolas.
A alta do petróleo melhora a competitividade do etanol, mas o impacto imediato do diesel sobre os custos reduz as margens do açúcar, o que pode incentivar uma maior destinação para biocombustíveis.
Enquanto sustenta receitas com etanol, amplia a pressão de custos via diesel e insumos, limitando a rentabilidade das usinas e exigindo ajustes estratégicos na safra 2026/27.
Perspectivas para a safra 2026/27
As usinas sucroenergéticas do Centro-Sul precisam equilibrar os benefícios da alta do etanol com os custos elevados do diesel. Estratégias como otimização de processos e diversificação de produção podem mitigar os impactos. O setor monitora de perto a evolução do conflito para antecipar variações nos preços de combustíveis e insumos.