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quarta-feira , 6 maio 2026
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Déficit de armazenagem no agro brasileiro exige R$ 148 bilhões em investimentos

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Capacidade insuficiente para estocar grãos pressiona custos, limita ganhos do produtor e expõe gargalos logísticos no Brasil


Capacidade de armazenagem não acompanha crescimento do agro

O agronegócio brasileiro segue em expansão acelerada, mas enfrenta um gargalo estrutural que ameaça sua eficiência: a falta de capacidade de armazenagem. Segundo estimativa da Kepler Weber, o país precisaria investir cerca de R$ 148 bilhões para zerar o déficit atual, estimado em 135 milhões de toneladas.

A projeção considera uma safra de grãos que pode atingir 357 milhões de toneladas no ciclo 2025/26. No entanto, a capacidade estática nacional gira em torno de 223 milhões de toneladas, o que obriga produtores a recorrerem a soluções improvisadas ou à venda imediata da produção, muitas vezes em momentos de preços desfavoráveis.


Necessidade urgente de expansão da infraestrutura

De acordo com o CEO da Kepler Weber, Bernardo Nogueira, o Brasil possui atualmente cerca de 19 mil unidades armazenadoras e constrói entre 1,5 mil e 2 mil por ano. Para eliminar o déficit, seriam necessárias entre 5 mil e 7 mil novas estruturas — um volume equivalente a cinco anos de expansão concentrados em um curto período.

O descompasso entre produção e armazenagem também é evidenciado pelo ritmo de crescimento: enquanto a safra avança cerca de 4,4% ao ano, a capacidade de armazenamento cresce apenas 2,4%.


Armazenagem fora da fazenda eleva custos

Outro ponto crítico é a baixa presença de estruturas dentro das propriedades rurais. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento indicam que apenas 16% da armazenagem está localizada nas fazendas. Em comparação, esse índice chega a 65% nos Estados Unidos e 40% na Argentina.

Esse cenário aumenta os custos logísticos, já que os produtores precisam transportar a produção até armazéns de cooperativas, tradings ou cerealistas. Além disso, reduz a capacidade de planejamento comercial, impedindo estratégias mais eficientes de venda.


Crescimento desigual entre produção e capacidade

Segundo Paulo Bertolini, presidente da câmara setorial da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, a produção brasileira de grãos cresceu, em média, 10 milhões de toneladas por ano na última década. Já a capacidade de armazenagem aumentou apenas 5 milhões de toneladas anuais no mesmo período.

O custo médio para construção de armazenagem gira em torno de R$ 1,5 mil por tonelada de capacidade. Para acompanhar apenas o crescimento da produção, sem reduzir o déficit existente, seria necessário investir cerca de R$ 15 bilhões por ano.


Crédito limitado trava novos investimentos

Apesar da demanda evidente, o setor enfrenta dificuldades para expandir a infraestrutura. Juros elevados, restrição ao crédito e margens apertadas no campo dificultam novos investimentos.

Especialistas apontam que a retomada dependerá da melhora na rentabilidade do agro, com recuperação nos preços das commodities e condições mais favoráveis de financiamento. Além disso, o avanço da industrialização da agricultura, especialmente com o crescimento dos biocombustíveis, deve ampliar ainda mais a necessidade de armazenagem no país.


Perspectivas e oportunidades para o setor

Mesmo diante dos desafios, eventos como a Agrishow indicam que há interesse crescente por soluções que aumentem a eficiência produtiva. A tendência é que o Brasil continue ampliando sua relevância no mercado global de alimentos e energia, o que torna urgente a modernização da infraestrutura logística e de armazenagem.

Sem esses investimentos, o país corre o risco de limitar seu próprio potencial produtivo e perder competitividade no cenário internacional.


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