Isenção tarifária favorece exportações já no curto prazo, enquanto carnes, etanol e cachaça terão acesso gradual ao mercado europeu
Frutas lideram ganhos imediatos no agro
O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia começa a gerar impactos diretos para o agronegócio brasileiro, com destaque para o setor de frutas. A partir da implementação inicial, produtos frutícolas passam a contar com isenção imediata de tarifas, que atualmente variam entre 12% e 13%.
Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, essa redução tarifária coloca as frutas como protagonistas no curto prazo, ampliando a competitividade brasileira no mercado europeu. A expectativa é de aumento nas exportações, especialmente para produtores do Nordeste, como a Bahia, que já possui forte presença na fruticultura irrigada.
Cadeias sensíveis terão abertura gradual
Apesar do avanço imediato para alguns produtos, o acordo estabelece regras diferenciadas para setores considerados sensíveis. É o caso das carnes, do etanol e da cachaça, que terão acesso ao mercado europeu por meio de cotas iniciais, com ampliação progressiva ao longo dos anos.
Esse modelo busca equilibrar interesses entre os blocos, permitindo a abertura gradual dos mercados. Para parte dos produtos agropecuários, o cronograma de redução tarifária pode levar entre sete e dez anos até atingir tarifa zero.
Negociação interna ainda define divisão de cotas
No caso das carnes, um dos pontos ainda em discussão envolve a divisão das cotas entre os países do Mercosul. O volume total negociado gira em torno de 99 mil toneladas, mas ainda não há definição sobre quanto caberá ao Brasil.
As negociações seguem entre países como Argentina, Paraguai e Uruguai, o que pode influenciar diretamente o potencial de exportação brasileira. Enquanto isso, o governo federal estabeleceu uma regra transitória para acesso às cotas até o fim de 2026, baseada na ordem de chegada.
Europa mantém proteção em setores estratégicos
Do lado europeu, alguns segmentos permanecerão protegidos. Produtos lácteos, por exemplo, não terão liberalização total de tarifas, refletindo a sensibilidade do setor dentro da União Europeia. Já o mercado de vinhos também seguirá com regras específicas e cotas limitadas.
Esse formato reforça uma característica comum em acordos internacionais: a abertura comercial ocorre de forma seletiva, preservando setores considerados estratégicos, enquanto amplia oportunidades para produtos mais competitivos.
Impacto para o agro da Bahia e do Brasil
Para o agronegócio brasileiro, especialmente no Nordeste, o acordo representa uma oportunidade relevante de expansão internacional. A Bahia, com forte produção de frutas como manga, uva e melão, tende a ser uma das regiões mais beneficiadas no curto prazo.
Ao mesmo tempo, o avanço gradual para proteínas e biocombustíveis indica potencial de crescimento no médio e longo prazo, consolidando o Brasil como um dos principais fornecedores globais de alimentos.
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